Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Soneto do Amigo - Vinícius de Moraes
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
A lágrima presa caiu.
Tua existência em momento algum deixou de ser celebrada por mim. Porque quando eu disse do Amor do Todo que mal cabia aqui, eu não falei de algo com prazo de validade ou de qualquer coisa frágil que não superasse um desencontro temporário. Falo de algo tão maior que desconheço o alcance. Em momento algum te deixei abandonado no céu. Sempre um olhar estava atento, sempre o pulsar do coração cuidando, vibrando sol de paz. Eu vi de longe teu olhar de chuva. O meu também chovia. Porque a nossa conexão é tão terna, tudo em nós é demasiado forte, talvez por isso alguns ruídos tenham sido altos demais para nós.
Nossa história, para mim, é guardada feito prece, mantra de amor que transmuta, toca, contagia.
Esperei teu tempo, esperei que aquela ardência de qualquer dor trazida à tona fosse redirecionada para um renascimento. Nunca temi que algo se rompesse, porque sei que é grandioso, mas fiquei penosa pelo que não nos acompanhamos durante este período. A crônica que eu escrevi, queria que você tivesse sido o primeiro a ler. Sei que ia fechar seus olhos e compor a paisagem de cada frase descrita. E que ia me olhar com aquela lágrima presa no cantinho do teu olho orvalhado de satisfação pelo que consegui tecer. Porque sempre nos acompanhamos nessas construções. Porque sempre fomos a maior torcida um do outro.
E, como pode, nossos abraços, tão os melhores, como pode a gente ter ficado tanto tempo assim sem eles?
Marla de Queiroz
(porque ela é assim hein?)
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